quinta-feira, 19 de maio de 2011

Morte 
" Ó morte querida, esperada 
Tu és por mim a mais desejada. 
Quero o teu único beijo, longo, fatal, 
Frio, cheio de desejo. 
Venha me abraçar, em teus braços me envolver, 
De modo tal, 
Que me liberte deste infindo padecer. 
Livra-me de tudo, ó Amada! 
Conduza-me à paz eterna 
E indiferente existente no vazio do Nada. 
Carrega-me contigo em teu alado corcel 
A voar através do céu. 
Quero perder-me em tua escuridão 
Tão cheia de compaixão 
Sejas para mim a mãe mais terna 
Que eu pudesse possuir. 
Deixa-me de meus pesadelos fugir. 
E, das tristezas e desenganos da Vida 
Afasta-me, pois feliz não fui 
Enquanto eu vivi. 
Venha, ó Morte, fiel companheira! 
Tu sim és a amiga derradeira 
E não a Vida - aquela mentirosa! - 
Que faz promessas enganosas 
E quando dela mais precisamos, 
Nos abandona à nossa própria sorte. 
Te desejo tanto, Morte! 
Clamo por ti!... - Morte, onde estás? " 

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